oplanetadosmacacospoliticos
Este blog apenas reporta a realidade, sem seguir cartilhas políticas ou ideológicas, nem apoia extremismos de esquerda ou direita.Não toma partido em questões geo-políticas(sem deixar de condenar crimes de Guerra) .
Estamos Bem Entregues (é fazerem as contas)
Quinta-feira, 05.12.24




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9 comentários
De O apartidário a 06.12.2024 às 08:58
Artigo do sapo opiniāo,Quem Rejeita um Militar quer um Militante:
Tem sido bastante divertido assistir ao desespero de nomes atirados a trouxe-mouxe para a tômbola das Presidenciais, na loucura de encontrar alternativas partidarizadas àquele que se foi materializando na sociedade e que as bolhas político-mediáticas, que acreditam que decidem a vontade popular, agora acusam de se "posicionar", ainda que nunca tenha saído um milímetro daquilo que foram sendo as suas funções oficiais para deixar-se intuir candidato.
À direita e à esquerda, colecionam-se "indecisos" que não mobilizam, como Marques Mendes, Santos Silva ou Mário Centeno, e até se tem fé que António José Seguro já terá digerido a humilhação de ser chutado da liderança socialista e está disposto a ir a votos com o apoio do PS. Somam-se-lhes os inefáveis Santana Lopes e Ana Gomes, sempre prontos a tentar a sorte, e os sectários dos partidos mais radicais, que jamais prescindem de ter candidato próprio. Cabem todos na lotaria do comentariado, que só não engole o Almirante.
Quanto a Gouveia e Melo, diz-se que não se lhe conhece pensamento político (e não é de louvar que um militar não os expresse?!), argumenta-se que é inédito recusar apoios partidários (quando a própria lei eleitoral define que a candidatura a PR é livre de filiações, "exclusiva dos cidadãos eleitores"), e os que querem simular motivações mais bondosas lamentam a perda de um bom militar (num país que ridiculariza e ofende as suas Forças Armadas). Argumentos falhos para ocultar o cheiro a desespero.
A questão é que, na hora de ir a votos, a malta quer um militante, não um militar. E tentarão tudo para impedir esta possibilidade. Até desvalorizar uma carreira inteiramente cumprida ao serviço do país, agora publicamente encolhida num único momento visível, até esse considerado feito de pouca monta, tecida a narrativa de forma que se esqueça o caos na primeira tentativa de vacinação anticovid, ao qual Gouveia e Melo trouxe a ordem. É que o legado partidário (não político) sempre dá jeito em horas de aperto...
https://www.sapo.pt/opiniao/artigos/que m-rejeita-um-militar-quer-um-militante
Tem sido bastante divertido assistir ao desespero de nomes atirados a trouxe-mouxe para a tômbola das Presidenciais, na loucura de encontrar alternativas partidarizadas àquele que se foi materializando na sociedade e que as bolhas político-mediáticas, que acreditam que decidem a vontade popular, agora acusam de se "posicionar", ainda que nunca tenha saído um milímetro daquilo que foram sendo as suas funções oficiais para deixar-se intuir candidato.
À direita e à esquerda, colecionam-se "indecisos" que não mobilizam, como Marques Mendes, Santos Silva ou Mário Centeno, e até se tem fé que António José Seguro já terá digerido a humilhação de ser chutado da liderança socialista e está disposto a ir a votos com o apoio do PS. Somam-se-lhes os inefáveis Santana Lopes e Ana Gomes, sempre prontos a tentar a sorte, e os sectários dos partidos mais radicais, que jamais prescindem de ter candidato próprio. Cabem todos na lotaria do comentariado, que só não engole o Almirante.
Quanto a Gouveia e Melo, diz-se que não se lhe conhece pensamento político (e não é de louvar que um militar não os expresse?!), argumenta-se que é inédito recusar apoios partidários (quando a própria lei eleitoral define que a candidatura a PR é livre de filiações, "exclusiva dos cidadãos eleitores"), e os que querem simular motivações mais bondosas lamentam a perda de um bom militar (num país que ridiculariza e ofende as suas Forças Armadas). Argumentos falhos para ocultar o cheiro a desespero.
A questão é que, na hora de ir a votos, a malta quer um militante, não um militar. E tentarão tudo para impedir esta possibilidade. Até desvalorizar uma carreira inteiramente cumprida ao serviço do país, agora publicamente encolhida num único momento visível, até esse considerado feito de pouca monta, tecida a narrativa de forma que se esqueça o caos na primeira tentativa de vacinação anticovid, ao qual Gouveia e Melo trouxe a ordem. É que o legado partidário (não político) sempre dá jeito em horas de aperto...
https://www.sapo.pt/opiniao/artigos/que
De O apartidário a 07.12.2024 às 08:57
"Anda por aí uma enorme excitação. O país político pergunta-se, desorientado: “Santo Deus, de onde vêm os votos do almirante Gouveia e Melo?” Há várias teorias que tentam explicar o facto de as sondagens mostrarem uma predisposição dos eleitores para votarem em alguém que não tem nada a ver com a política, não tem nada a ver com os partidos, e que, mesmo sendo ainda chefe do Estado-Maior da Armada, não tem nada a ver com essa entidade mítica a que alguns chamam “sistema”. Teoria n.º 1: é da altura. Gouveia e Melo é muito alto, outros protocandidatos são muito baixos e os portugueses, podendo escolher, como é evidente preferem ter um Presidente alto e que, precisamente por ser alto, não é baixo. Teoria n.º 2: é da cor dos olhos. Gouveia e Melo tem olhos azuis, outros protocandidatos têm os olhos castanhos e os portugueses, podendo escolher, como é evidente preferem ter um Presidente com olhos azuis e que, precisamente por serem azuis, não são de outra cor mais vulgar. Teoria n.º 3: a roupa. Gouveia e Melo usa farda, outros protocandidatos usam um entediante fato com gravata e os portugueses, podendo escolher, como é evidente preferem ter um Presidente que usa farda e que, precisamente por usar farda, não usa um simples fato com gravata — e nem me ponham a falar sobre os calções de banho para mergulhos no mar.
Como se vê, dizem-nos que está tudo controlado. Segundo as mentes mais brilhantes da nossa política, se Gouveia e Melo não se apresentasse com aquelas três fúteis caraterísticas, começaria a despencar nas sondagens e só pararia quando aterrasse nos 0,9% que o último estudo de opinião dá a Paulo Raimundo — que, como se sabe, tem olhos de uma cor normalíssima, mede uns bons centímetros a menos do que o almirante, seguramente teria gosto em surgir sempre em público com casacos de veludo cotelê e nem sequer pode recorrer a um quepe para esconder do mundo os muitos desafios capilares que enfrenta. Se é apenas isso que está em causa, então não há motivos para grandes preocupações, certo?
Errado. Talvez seja mais prudente colocar a hipótese de esta demonstração de apoio a Gouveia e Melo ser, na verdade, uma demonstração de censura ao regime. Não há grande mistério nesta hipótese — basta olhar para o que se passou na pátria esta semana. Na segunda-feira à noite, uma pessoa que vivesse em Lisboa e precisasse de ir às urgências com uma criança perceberia que o D. Estefânia tinha um tempo de espera estimado de cinco horas, o que implicaria, claro, passar uma madrugada inteira no hospital. Se por acaso pensasse que a culpa era dos paizinhos que correm para as urgências ao primeiro espirro, ficaria esclarecido poucas horas depois com a manchete do Jornal de Notícias de terça-feira: “Procura das urgências baixou, mas doentes esperaram mais tempo”. O número de pessoas nas urgências reduziu e, na mesma altura, o tempo de espera subiu: o que é que explica isto? A falta de médicos nos hospitais públicos, claro.
Além de ler esta notícia deprimente, nessa mesma terça-feira quem vivesse em Lisboa perceberia rapidamente que o Metro estava de novo em greve. Não escrevo “de novo” por motivos estilísticos. Não foi a primeira paralisação — tinha havido duas pouco antes, a 6 e a 14 de novembro; e não foi a última — a greve repete-se a 10 de dezembro. Na mesma semana, na sexta-feira, outra empresa de transportes públicos entrou também em greve. O sindicato dos maquinistas da CP não gostou de uma frase dita pelo ministro Leitão Amaro e, por isso, com a mesma naturalidade de quem boceja quando tem sono, decidiu parar os comboios durante 24 horas.
Na mesmíssima sexta-feira, uma outra greve, agora de toda a Função Pública, fechou as escolas. Também aqui uma das motivações dos grevistas foi não terem gostado daquilo que um ministro disse. E também esta greve não foi a primeira nem será a última. Depois de anos de paralisações provocadas pelos professores, temos tido agora inúmeras greves provocadas pelos “assistentes operacionais”.
Nos hospitais, não há médicos. Nas estações, não há metro. Nos carris, não há comboios. Nas escolas, não há aulas. Caso ainda não tenha ficado claro, convém sublinhar que esta não foi uma semana de azar ou de coincidência . Vivemos assim. "
https://observador.pt/opiniao/a-campanh a-do-almirante-faz-se-sozinha/
Como se vê, dizem-nos que está tudo controlado. Segundo as mentes mais brilhantes da nossa política, se Gouveia e Melo não se apresentasse com aquelas três fúteis caraterísticas, começaria a despencar nas sondagens e só pararia quando aterrasse nos 0,9% que o último estudo de opinião dá a Paulo Raimundo — que, como se sabe, tem olhos de uma cor normalíssima, mede uns bons centímetros a menos do que o almirante, seguramente teria gosto em surgir sempre em público com casacos de veludo cotelê e nem sequer pode recorrer a um quepe para esconder do mundo os muitos desafios capilares que enfrenta. Se é apenas isso que está em causa, então não há motivos para grandes preocupações, certo?
Errado. Talvez seja mais prudente colocar a hipótese de esta demonstração de apoio a Gouveia e Melo ser, na verdade, uma demonstração de censura ao regime. Não há grande mistério nesta hipótese — basta olhar para o que se passou na pátria esta semana. Na segunda-feira à noite, uma pessoa que vivesse em Lisboa e precisasse de ir às urgências com uma criança perceberia que o D. Estefânia tinha um tempo de espera estimado de cinco horas, o que implicaria, claro, passar uma madrugada inteira no hospital. Se por acaso pensasse que a culpa era dos paizinhos que correm para as urgências ao primeiro espirro, ficaria esclarecido poucas horas depois com a manchete do Jornal de Notícias de terça-feira: “Procura das urgências baixou, mas doentes esperaram mais tempo”. O número de pessoas nas urgências reduziu e, na mesma altura, o tempo de espera subiu: o que é que explica isto? A falta de médicos nos hospitais públicos, claro.
Além de ler esta notícia deprimente, nessa mesma terça-feira quem vivesse em Lisboa perceberia rapidamente que o Metro estava de novo em greve. Não escrevo “de novo” por motivos estilísticos. Não foi a primeira paralisação — tinha havido duas pouco antes, a 6 e a 14 de novembro; e não foi a última — a greve repete-se a 10 de dezembro. Na mesma semana, na sexta-feira, outra empresa de transportes públicos entrou também em greve. O sindicato dos maquinistas da CP não gostou de uma frase dita pelo ministro Leitão Amaro e, por isso, com a mesma naturalidade de quem boceja quando tem sono, decidiu parar os comboios durante 24 horas.
Na mesmíssima sexta-feira, uma outra greve, agora de toda a Função Pública, fechou as escolas. Também aqui uma das motivações dos grevistas foi não terem gostado daquilo que um ministro disse. E também esta greve não foi a primeira nem será a última. Depois de anos de paralisações provocadas pelos professores, temos tido agora inúmeras greves provocadas pelos “assistentes operacionais”.
Nos hospitais, não há médicos. Nas estações, não há metro. Nos carris, não há comboios. Nas escolas, não há aulas. Caso ainda não tenha ficado claro, convém sublinhar que esta não foi uma semana de azar ou de coincidência . Vivemos assim. "
https://observador.pt/opiniao/a-campanh
De O apartidário a 06.12.2024 às 09:06
Mais greves, herança de vários anos de social-costismo(com e sem geringonça) :
Esta sexta-feira o país enfrentará uma série de paralisações que prometem ter um impacto profundo em vários sectores essenciais, incluindo transportes ferroviários, saúde, educação e serviços municipais, particularmente a recolha de resíduos. As greves, convocadas por diferentes sindicatos, têm como principais razões o descontentamento com a estagnação nas condições laborais, os salários e as políticas governamentais que, segundo as organizações sindicais, têm negligenciado as necessidades dos trabalhadores da administração pública e de sectores essenciais.
Assim para hoje, conte com comboios suprimidos (e não apenas da CP), escolhas fechadas, centros de saúde a ‘meio-gás’, recolha de lixo parada e julgamentos adiados nos tribunais, entre outros efeitos em diversos setores da administração pública.
Daqui https://executivedigest.sapo.pt/noticia s/nao-uma-mas-duas-greves-comboios-volta m-hoje-a-parar-e-funcionarios-publicos-s aem-a-rua/
Esta sexta-feira o país enfrentará uma série de paralisações que prometem ter um impacto profundo em vários sectores essenciais, incluindo transportes ferroviários, saúde, educação e serviços municipais, particularmente a recolha de resíduos. As greves, convocadas por diferentes sindicatos, têm como principais razões o descontentamento com a estagnação nas condições laborais, os salários e as políticas governamentais que, segundo as organizações sindicais, têm negligenciado as necessidades dos trabalhadores da administração pública e de sectores essenciais.
Assim para hoje, conte com comboios suprimidos (e não apenas da CP), escolhas fechadas, centros de saúde a ‘meio-gás’, recolha de lixo parada e julgamentos adiados nos tribunais, entre outros efeitos em diversos setores da administração pública.
Daqui https://executivedigest.sapo.pt/noticia
De O apartidário a 06.12.2024 às 14:01
Artigo de Rui Ramos no Observador 'Macrom e Montenegro' :
Outrora, sabia-se que Portugal era um país traduzido do francês. Foi Eça de Queiroz que o disse. Era no tempo em que os estudantes portugueses aprendiam francês. Hoje, aprendem inglês, mas nem por isso o chiste queirosiano deixou de ter sentido. Sim, a nossa política é ainda, em parte, adaptada do francês, e não apenas por via da União Europeia. Se repararmos bem, o que Luís Montenegro anda a tentar no governo em Portugal é uma cópia tardia do que o presidente Macron ensaiou em França. O projecto de Macron acaba de encalhar. Vale a pena perceber o que aconteceu ao original, porque talvez ajude a antever o destino da tradução.
A ideia era muito simples, e por isso irresistível, como todas as coisas aparentemente simples. As migrações descontroladas fizeram crescer a direita nacionalista. Ao mesmo tempo, as universidades americanas inspiraram à esquerda mais um episódio de epilepsia extremista, a que se deu o nome de wokismo. Em 2017, Macron viu a oportunidade: entre uma direita a que a esquerda chamava “fascista”, e uma esquerda que as pessoas sensatas passaram a achar “louca”, governar em nome do “centro moderado”.
Como talvez fosse de prever, o resultado foi um jogo de enganos. Pelo palco, Macron passou sob os mais variados disfarces: umas vezes, penitente “pós-colonial”; outras, polícia intransigente. Nas eleições, explorou o papão do “fascismo” para obter os votos da esquerda. No governo, invocou as urgências financeiras para exigir à direita que lhe viabilizasse o Orçamento. Nas últimas legislativas, juntou-se com a esquerda anti-semita. Agora, não se teria importado de continuar a governar apoiado nos “fascistas”. O que aconteceu esta semana era fatal: um consenso entre esquerda e direita para pôr fim à comédia. Os eleitores já se tinham cansado: o partido do presidente caiu de 308 deputados em 2017 para 98 este ano.
Para que serviu o ludíbrio macronista? Para a França chegar ao estado de “nova Grécia”, com um défice e uma dívida abissais. Podia ter sido de outra maneira? Não podia. Um governo entalado entre esquerda e direita aumenta a despesa, porque as votações têm de ser pagas. A política, quando lhe falta o ímpeto de uma visão, tende a reduzir-se às necessidades da mercearia. Constatámos isso por cá no debate do Orçamento. Mas França e Portugal não estão em situação de sustentar tantos equívocos e habilidades.
As sociedades ocidentais passam por mudanças que ameaçam a sua coesão social. Num mundo em que mandavam, estão agora sob pressão de potências hostis aos seus valores. É natural que se dividam sobre o que fazer. Macron, tal como Montenegro, aproveitou a divisão para tentar emergir como o “justo meio” entre dois “extremos”. Havia outro caminho? Havia: assumir a polarização, e liderar a estruturação de um dos campos políticos, de modo a governar com um suporte coerente e um rumo inteligível.
Em França, através da “Nova Frente Popular”, as esquerdas já se combinaram. Na Europa ocidental, com algumas excepções como a Itália, são as direitas que permanecem divididas. A esquerda é independente, e decide por si quando se junta e se separa. Mas uma parte da direita vive, por frouxidão ou conveniência, sob a tutela da esquerda. Por isso, acomodou-se às “linhas vermelhas” decretadas pelo esquerdismo. Uma liderança política à direita valerá pela autoridade que tiver para romper com esta limitação. Não se trata de resolver um problema de certos partidos, mas de toda a comunidade. Os países ocidentais só podem ganhar com a possibilidade, que apenas à direita existe, de uma governação reformista.
Rui Ramos no Observador https://observador.pt/opiniao/macro n-e-montenegro-a-historia-francesa-de-po rtugal/
Outrora, sabia-se que Portugal era um país traduzido do francês. Foi Eça de Queiroz que o disse. Era no tempo em que os estudantes portugueses aprendiam francês. Hoje, aprendem inglês, mas nem por isso o chiste queirosiano deixou de ter sentido. Sim, a nossa política é ainda, em parte, adaptada do francês, e não apenas por via da União Europeia. Se repararmos bem, o que Luís Montenegro anda a tentar no governo em Portugal é uma cópia tardia do que o presidente Macron ensaiou em França. O projecto de Macron acaba de encalhar. Vale a pena perceber o que aconteceu ao original, porque talvez ajude a antever o destino da tradução.
A ideia era muito simples, e por isso irresistível, como todas as coisas aparentemente simples. As migrações descontroladas fizeram crescer a direita nacionalista. Ao mesmo tempo, as universidades americanas inspiraram à esquerda mais um episódio de epilepsia extremista, a que se deu o nome de wokismo. Em 2017, Macron viu a oportunidade: entre uma direita a que a esquerda chamava “fascista”, e uma esquerda que as pessoas sensatas passaram a achar “louca”, governar em nome do “centro moderado”.
Como talvez fosse de prever, o resultado foi um jogo de enganos. Pelo palco, Macron passou sob os mais variados disfarces: umas vezes, penitente “pós-colonial”; outras, polícia intransigente. Nas eleições, explorou o papão do “fascismo” para obter os votos da esquerda. No governo, invocou as urgências financeiras para exigir à direita que lhe viabilizasse o Orçamento. Nas últimas legislativas, juntou-se com a esquerda anti-semita. Agora, não se teria importado de continuar a governar apoiado nos “fascistas”. O que aconteceu esta semana era fatal: um consenso entre esquerda e direita para pôr fim à comédia. Os eleitores já se tinham cansado: o partido do presidente caiu de 308 deputados em 2017 para 98 este ano.
Para que serviu o ludíbrio macronista? Para a França chegar ao estado de “nova Grécia”, com um défice e uma dívida abissais. Podia ter sido de outra maneira? Não podia. Um governo entalado entre esquerda e direita aumenta a despesa, porque as votações têm de ser pagas. A política, quando lhe falta o ímpeto de uma visão, tende a reduzir-se às necessidades da mercearia. Constatámos isso por cá no debate do Orçamento. Mas França e Portugal não estão em situação de sustentar tantos equívocos e habilidades.
As sociedades ocidentais passam por mudanças que ameaçam a sua coesão social. Num mundo em que mandavam, estão agora sob pressão de potências hostis aos seus valores. É natural que se dividam sobre o que fazer. Macron, tal como Montenegro, aproveitou a divisão para tentar emergir como o “justo meio” entre dois “extremos”. Havia outro caminho? Havia: assumir a polarização, e liderar a estruturação de um dos campos políticos, de modo a governar com um suporte coerente e um rumo inteligível.
Em França, através da “Nova Frente Popular”, as esquerdas já se combinaram. Na Europa ocidental, com algumas excepções como a Itália, são as direitas que permanecem divididas. A esquerda é independente, e decide por si quando se junta e se separa. Mas uma parte da direita vive, por frouxidão ou conveniência, sob a tutela da esquerda. Por isso, acomodou-se às “linhas vermelhas” decretadas pelo esquerdismo. Uma liderança política à direita valerá pela autoridade que tiver para romper com esta limitação. Não se trata de resolver um problema de certos partidos, mas de toda a comunidade. Os países ocidentais só podem ganhar com a possibilidade, que apenas à direita existe, de uma governação reformista.
Rui Ramos no Observador https://observador.pt/opiniao/macro
De O apartidário a 07.12.2024 às 08:43
O absurdo contraditório a que chegámos:
Na antevisão ao jogo do Manchester United com o Nottingham Forest, voltou a ser tema o facto dos jogadores dos red devils não terem utilizado um casaco de apoio à causa LGBTQ+, devido ao facto de Mazraoui se ter recusado a fazê-lo por causa de crenças religiosas. Ruben Amorim abordou o assunto, afirmando que «não deixaria Mazraoui sozinho».
«Há três coisas difíceis para gerir», começou por dizer Ruben Amorim, que afirmou que não teve qualquer poder de decisão na matéria. «Por um lado, há os valores do clube. Mas depois, há a religião e os nossos valores mandam-nos respeitar outras opiniões. E a terceira coisa é o grupo. Não vamos deixar o Nous [Mazraoui] sozinho, somos uma equipa. A maioria dos jogadores acredita numa coisa, mas viram um tipo sozinho e disseram 'vamos ficar juntos'.»
«É um assunto difícil», prosseguiu. «Não há dúvidas daquilo que o clube defende e por que luta. Temos de respeitar toda a gente, mas também temos de respeitar a religião do Nous e a sua cultura», concluiu. ( do sapo desporto actualidade)
Na antevisão ao jogo do Manchester United com o Nottingham Forest, voltou a ser tema o facto dos jogadores dos red devils não terem utilizado um casaco de apoio à causa LGBTQ+, devido ao facto de Mazraoui se ter recusado a fazê-lo por causa de crenças religiosas. Ruben Amorim abordou o assunto, afirmando que «não deixaria Mazraoui sozinho».
«Há três coisas difíceis para gerir», começou por dizer Ruben Amorim, que afirmou que não teve qualquer poder de decisão na matéria. «Por um lado, há os valores do clube. Mas depois, há a religião e os nossos valores mandam-nos respeitar outras opiniões. E a terceira coisa é o grupo. Não vamos deixar o Nous [Mazraoui] sozinho, somos uma equipa. A maioria dos jogadores acredita numa coisa, mas viram um tipo sozinho e disseram 'vamos ficar juntos'.»
«É um assunto difícil», prosseguiu. «Não há dúvidas daquilo que o clube defende e por que luta. Temos de respeitar toda a gente, mas também temos de respeitar a religião do Nous e a sua cultura», concluiu. ( do sapo desporto actualidade)
De O apartidário a 07.12.2024 às 09:19
De O apartidário a 07.12.2024 às 09:06
Artigo do Observador , 'A covid longa e sem fim':
Isto devia ser relevante ou, como se diz em português de feira, “impactante”. Criado há quatro anos no Congresso americano, o Subcomité para a Pandemia do Coronavírus atravessou duas legislaturas, envolveu trinta políticos de ambos os partidos e resmas de conselheiros científicos, entrevistou e ouviu os depoimentos de uma data de criaturas, realizou dezenas de reuniões e audições, analisou centenas de milhares de documentos e produziu um relatório de quinhentas e tal páginas, o maior e mais detalhado sobre o assunto.
O relatório, publicado esta semana, caiu que nem uma bomba, mas uma bomba de escasso poder destrutivo. Na verdade, pareceu um explosivo caseiro, fora do prazo e deixado à chuva. Por cá, então, não chegou sequer a ser um daqueles estalinhos com que se brincava no Carnaval e que, ao baterem no chão, soltavam um barulhinho discreto: “Pim!”. É pouco e é pena, já que em teoria o calhamaço tinha tudo para constituir um portentoso enxovalho dos maluquinhos que contestavam as visões institucionais acerca da Covid e sobretudo questionavam a inexcedível pertinência das respostas oficiais. Na prática, reconheço, a coisa saiu um bocadinho ao lado.
Lembram-se, por exemplo, dos tolinhos que atribuíam a origem do vírus ao famoso Instituto de Virologia de Wuhan, China? Paranóicos, evidentemente. Mas pelos vistos os paranóicos tinham razão. O relatório conclui ser muito provável que o bicho se engendrou ali por mão humana e co-financiada pelos EUA (ao tempo de Obama). Depois, houve o zelo de autoridades sortidas, incluindo o simpático dr. Fauci, para ceder às pressões do governo chinês e difundir patranhas alternativas.
Lembram-se das figurinhas que criticavam os “confinamentos” por julgá-los contraproducentes? Chalupas, claro. Mas pelos vistos os chalupas tinham razão. O relatório decidiu que os “confinamentos”, decretados “sem fundamentos científicos”, prejudicaram “desnecessariamente” a saúde física e mental dos indivíduos, a economia e, de “modo irrecuperável”, o desenvolvimento das crianças e dos jovens.
Lembram-se das cavalgaduras que desprezavam o “distanciamento social”, a pretexto da respectiva inutilidade? Trogloditas, bem se vê. Mas pelos vistos os trogloditas tinham razão. O relatório recorda que o metro e meio de distância ao próximo (ou seis pés, cerca de 1,82m, nos EUA), conforme o próprio dr. Fauci admitiu em 2023 e em Junho último, era um “número que apareceu”, um palpite aprovado sem debate ou responsabilização, uma crendice privada de suporte factual que serviu para encerrar lojas e impedir escolas de reabrir. E manter a ralé submissa, acrescentam os trogloditas.
Lembram-se dos doidos varridos que se revoltavam contra o uso de máscaras sob o argumento da inutilidade das ditas? Negacionistas, sem dúvida. Mas pelos vistos os negacionistas tinham razão. O relatório explica que a imposição dos farrapos no rosto fora legitimada por “informação” distorcida e estudos manipulados ou apenas inconclusivos, além de ser legalmente abusiva, genericamente ineficaz em adultos e, nos atrasos na linguagem e distúrbios comportamentais, adversa para crianças. O relatório compara os casos de propagação nos estados em que se forçou o farrapo com os demais: estatisticamente, as diferenças são nulas.
Continua
Isto devia ser relevante ou, como se diz em português de feira, “impactante”. Criado há quatro anos no Congresso americano, o Subcomité para a Pandemia do Coronavírus atravessou duas legislaturas, envolveu trinta políticos de ambos os partidos e resmas de conselheiros científicos, entrevistou e ouviu os depoimentos de uma data de criaturas, realizou dezenas de reuniões e audições, analisou centenas de milhares de documentos e produziu um relatório de quinhentas e tal páginas, o maior e mais detalhado sobre o assunto.
O relatório, publicado esta semana, caiu que nem uma bomba, mas uma bomba de escasso poder destrutivo. Na verdade, pareceu um explosivo caseiro, fora do prazo e deixado à chuva. Por cá, então, não chegou sequer a ser um daqueles estalinhos com que se brincava no Carnaval e que, ao baterem no chão, soltavam um barulhinho discreto: “Pim!”. É pouco e é pena, já que em teoria o calhamaço tinha tudo para constituir um portentoso enxovalho dos maluquinhos que contestavam as visões institucionais acerca da Covid e sobretudo questionavam a inexcedível pertinência das respostas oficiais. Na prática, reconheço, a coisa saiu um bocadinho ao lado.
Lembram-se, por exemplo, dos tolinhos que atribuíam a origem do vírus ao famoso Instituto de Virologia de Wuhan, China? Paranóicos, evidentemente. Mas pelos vistos os paranóicos tinham razão. O relatório conclui ser muito provável que o bicho se engendrou ali por mão humana e co-financiada pelos EUA (ao tempo de Obama). Depois, houve o zelo de autoridades sortidas, incluindo o simpático dr. Fauci, para ceder às pressões do governo chinês e difundir patranhas alternativas.
Lembram-se das figurinhas que criticavam os “confinamentos” por julgá-los contraproducentes? Chalupas, claro. Mas pelos vistos os chalupas tinham razão. O relatório decidiu que os “confinamentos”, decretados “sem fundamentos científicos”, prejudicaram “desnecessariamente” a saúde física e mental dos indivíduos, a economia e, de “modo irrecuperável”, o desenvolvimento das crianças e dos jovens.
Lembram-se das cavalgaduras que desprezavam o “distanciamento social”, a pretexto da respectiva inutilidade? Trogloditas, bem se vê. Mas pelos vistos os trogloditas tinham razão. O relatório recorda que o metro e meio de distância ao próximo (ou seis pés, cerca de 1,82m, nos EUA), conforme o próprio dr. Fauci admitiu em 2023 e em Junho último, era um “número que apareceu”, um palpite aprovado sem debate ou responsabilização, uma crendice privada de suporte factual que serviu para encerrar lojas e impedir escolas de reabrir. E manter a ralé submissa, acrescentam os trogloditas.
Lembram-se dos doidos varridos que se revoltavam contra o uso de máscaras sob o argumento da inutilidade das ditas? Negacionistas, sem dúvida. Mas pelos vistos os negacionistas tinham razão. O relatório explica que a imposição dos farrapos no rosto fora legitimada por “informação” distorcida e estudos manipulados ou apenas inconclusivos, além de ser legalmente abusiva, genericamente ineficaz em adultos e, nos atrasos na linguagem e distúrbios comportamentais, adversa para crianças. O relatório compara os casos de propagação nos estados em que se forçou o farrapo com os demais: estatisticamente, as diferenças são nulas.
Continua
De O apartidário a 07.12.2024 às 09:06
Lembram-se dos primitivos que desconfiavam das virtudes miraculosas da vacina e protestavam a sua obrigatoriedade? Terraplanistas, no mínimo. Mas pelos vistos os terraplanistas tinham razão. Embora ressalve que a vacinação evitou muitas mortes por Covid, o relatório é altamente céptico no que toca às pressas e aos prazos de aprovação (subordinados a conveniências políticas), aos benefícios que se inventaram a propósito (ao contrário da mitologia na altura em vigor, as vacinas não impediam que se contagiasse ou se fosse contagiado), à exigência do “passaporte” (na realidade um grotesco atestado de subalternidade), ao desprezo pela imunidade natural (cuja simples menção habilitava um sujeito a internamento na ala psiquiátrica), à desvalorização dos riscos colaterais (que hoje aparecem aos pingos nos rodapés dos noticiários) e por aí fora.
O relatório é extenso e, do que li, trata destes e de outros momentos da reacção à Covid. Porque não li tudo, ignoro se trata com igual minúcia da erosão da confiança nos “peritos” e na ciência. Ou do crescimento da pobreza, do consumo de drogas e do crime. Ou do engajamento do jornalismo, das redes sociais e do entretenimento para disseminação de propaganda e censura de dissidências. Ou do brutal atropelo da democracia que tamanha miséria, afinal, foi. O relatório não trata de certeza dos pormenores alucinados que nem sei se aconteceram na América ou eram um exotismo nosso: a impossibilidade de cruzar concelhos, as multas por comer no carro, a detenção de transeuntes solitários, os semáforos nas praias, os detalhes, enfim, de uma história triste de perversão e desumanidade.
O relatório adverte em suma que a cura não deve ser pior que a doença, e confere-se o papel de evitar que semelhante assalto às liberdades básicas se repita. Não partilho a esperança. Enquanto teste deliberado ou oportunista de engenharia social, a Covid resultou em cheio. E quando à impunidade de quem manda se junta o empenho de quem obedece, o desastre é sempre iminente. “Vai ficar tudo bem” não era um desejo: era uma ameaça.
Alberto Gonçalves no Observador
https://observador.pt/opiniao/a-covid-l onga-e-sem-fim/
O relatório é extenso e, do que li, trata destes e de outros momentos da reacção à Covid. Porque não li tudo, ignoro se trata com igual minúcia da erosão da confiança nos “peritos” e na ciência. Ou do crescimento da pobreza, do consumo de drogas e do crime. Ou do engajamento do jornalismo, das redes sociais e do entretenimento para disseminação de propaganda e censura de dissidências. Ou do brutal atropelo da democracia que tamanha miséria, afinal, foi. O relatório não trata de certeza dos pormenores alucinados que nem sei se aconteceram na América ou eram um exotismo nosso: a impossibilidade de cruzar concelhos, as multas por comer no carro, a detenção de transeuntes solitários, os semáforos nas praias, os detalhes, enfim, de uma história triste de perversão e desumanidade.
O relatório adverte em suma que a cura não deve ser pior que a doença, e confere-se o papel de evitar que semelhante assalto às liberdades básicas se repita. Não partilho a esperança. Enquanto teste deliberado ou oportunista de engenharia social, a Covid resultou em cheio. E quando à impunidade de quem manda se junta o empenho de quem obedece, o desastre é sempre iminente. “Vai ficar tudo bem” não era um desejo: era uma ameaça.
Alberto Gonçalves no Observador
https://observador.pt/opiniao/a-covid-l
De O apartidário a 08.12.2024 às 09:15
Notícias da Síria,mais um Estado islamico a caminho:
Os rebeldes sírios entraram e Damasco anunciaram o fim do regime de 50 anos liderado por Bashar al-Assad que fugiu do país de avião para um paradeiro desconhecido.
https://observador.pt/liveblogs/rebelde s-sirios-tomam-damasco-e-afastam-assad-q ue-esta-em-paradeiro-incerto/
Os rebeldes sírios entraram e Damasco anunciaram o fim do regime de 50 anos liderado por Bashar al-Assad que fugiu do país de avião para um paradeiro desconhecido.
https://observador.pt/liveblogs/rebelde